A Educação de Bragança Paulista vive mais um capítulo preocupante. A Justiça concedeu uma liminar suspendendo o Edital de Chamamento Público nº 27/2026, promovido pela Prefeitura, que havia declarado vencedoras a Associação Educacional da Juventude (ASSEJ) e o Instituto Luz do Saber.

A decisão é provisória, mas tem efeito imediato.

Com isso, ficam suspensos:

  • A habilitação e classificação das entidades;
  • A adjudicação e homologação do chamamento público;
  • A execução dos contratos já assinados.

Também foi determinado que a Secretaria de Educação preste esclarecimentos no prazo de 10 dias, além da ciência ao Ministério Público e ao órgão jurídico do município.

Contratos somam mais de R$ 16 milhões

Os contratos questionados totalizam R$ 16.034.784,82.

A ASSEJ firmou contrato superior a R$ 15 milhões para atendimento educacional especializado e apoio escolar inclusivo a estudantes com deficiência.

Já o Instituto Luz do Saber assinou contrato de R$ 822 mil para execução de programa de recuperação paralela e atendimento educacional complementar.

Juntas, as entidades previam a contratação de mais de 400 profissionais, que já estavam atuando nas escolas desde o início do ano letivo.

Com a liminar, a execução foi interrompida, gerando insegurança para trabalhadores, famílias e alunos.

O que motivou a decisão judicial

A decisão foi motivada por denúncia que aponta possíveis irregularidades no processo de habilitação.

Segundo os autos, as entidades teriam sido inicialmente inabilitadas por ausência de documentos exigidos no edital, como:

  • Ofício assinado pelo representante legal;
  • Estatuto atualizado conforme a Lei nº 13.019/2014;
  • Balanço contábil do último exercício com assinatura de contador habilitado.

Posteriormente, a decisão administrativa teria sido revertida, permitindo a juntada posterior de documentos o que pode configurar violação aos princípios da vinculação ao edital, isonomia e impessoalidade.

Um ponto que chamou atenção foi a informação de que as duas entidades apresentariam o mesmo número de telefone para contato, fato que levanta questionamentos adicionais sobre a condução do processo.

A Justiça entendeu que os indícios apresentados justificavam a suspensão imediata até análise mais aprofundada.

Educação sob instabilidade

O episódio ocorre em meio a um cenário já delicado na rede municipal.

Nos últimos meses, Bragança enfrentou:

  • Crise financeira envolvendo organizações da sociedade civil;
  • Atrasos salariais;
  • Manifestações de profissionais da Educação;
  • Suspensão de repasses;
  • Intervenções administrativas.

Enquanto isso, indicadores recentes apontam que a Educação de Bragança Paulista vem sendo classificada entre as piores da região, agravando ainda mais a preocupação da população.

Impacto direto na comunidade

A suspensão gera reflexos imediatos:

  • Insegurança para mais de 400 profissionais;
  • Risco de descontinuidade de serviços educacionais;
  • Instabilidade no atendimento a alunos com deficiência;
  • Incerteza para famílias que dependem da rede pública.

Educação exige previsibilidade, planejamento e gestão técnica.

Processos suspensos por decisão judicial não são apenas questões administrativas — afetam diretamente o futuro das crianças.

O que acontece agora

A decisão é liminar e ainda cabe recurso.

A Prefeitura e as entidades envolvidas poderão se manifestar e apresentar defesa.

O processo seguirá sob acompanhamento do Ministério Público e do Judiciário.

O momento exige transparência absoluta, esclarecimentos claros e responsabilidade na condução da Educação municipal.


Educação não pode viver de crise

Bragança Paulista precisa de estabilidade na Educação.

Não é aceitável que contratos milionários sejam suspensos no início do ano letivo.

Não é razoável que profissionais e famílias convivam com insegurança constante.

A Educação precisa sair do campo da polêmica e voltar ao campo do planejamento, da gestão técnica e da responsabilidade institucional.

A população tem o direito de acompanhar, questionar e cobrar respostas.

Porque quando falamos de Educação, estamos falando do futuro da cidade.